Como vocês já devem ter percebido, nos últimos tempos meu nome vem aparecendo com frequência aqui no Partiu Intercâmbio. Há alguns meses a Bruna me convidou para colaborar com este projeto maravilhoso e eu aceitei na hora – não só porque acredito muito nele e no importante serviço que ele presta, mas também porque acho que todo mundo deveria ter a oportunidade de fazer pelo menos um intercâmbio na vida.
Talvez em breve eu possa falar um pouquinho mais sobre a minha experiência para vocês aqui no site. Por enquanto, neste post vou esclarecer algumas dúvidas e dar dicas sobre como faz para estudar na Itália. Eu fui para lá em 2013 e fiz mestrado em Semiótica na Universidade de Bolonha com bolsa do MAECI (órgão do governo italiano). Terminei o curso em 2016, e foi uma experiência intensa e rica que valeu cada esforço: desde a trabalheira com a burocracia antes de ir até a dissertação (e a banca) em italiano.
Se você está pensando em tentar estudar em uma universidade na Itália (ou nunca cogitou, mas ficou curioso!), reuni aqui várias informações e dicas úteis para quem quer estudar na Itália. Confira!
Como faz para estudar na Itália?
Bem, primeiro, você precisa entender como funciona o sistema de ensino na Itália, porque ele é um pouco diferente do nosso e também porque os nomes costumam gerar confusão. Então, antes de escolher o curso que você vai fazer, é importante ter em mente algumas informações.
Os estudos universitários na Itália se estruturam em três ciclos. O primeiro ciclo é constituído pelas graduações, ou seja, os "Corsi di Laurea", também conhecidos como "Laurea Triennale", pois tem duração de três anos. Para estudar na Itália fazendo um curso desse nível, é necessário ter diploma do ensino médio.

O segundo ciclo é composto pela "Laurea Magistrale" ou "Laurea Specialista" - que foi o que eu fiz. São cursos de dois anos de estudos aprofundados em uma área mais específica que precisam de uma graduação anterior. Ele é equivalente ao nosso mestrado, mas possui mais créditos, ou seja, além de ter que escrever a dissertação, o estudante que vai estudar na Itália para fazer mestrado tem várias disciplinas para cursar ao longo desses dois anos.
Os tipos de pós-graduação na Itália
Como é difícil dar conta de todas as provas e, ao mesmo tempo, fazer a pesquisa, a maioria das pessoas acaba o curso em dois anos e meio ou três. Em compensação, entrar na pós-graduação lá é bem mais simples, pois não precisa apresentar um projeto de pesquisa para fazer mestrado na Itália. A seleção é baseada no histórico acadêmico, currículo e às vezes em alguns requisitos específicos. Os cursos normalmente não têm um número fechado de vagas, por isso, podem ser aceitos até estudantes que depois precisem alinhar o currículo fazendo créditos extras. Os cursos a numero chiuso têm vagas limitadas, e a seleção é um pouco menos simples, mas mesmo assim não costumam ser tão concorridas.
Já se você quer estudar na Itália para cursar alguns cursos específicos, como Medicina, Veterinária, Odontologia, Farmácia, Arquitetura e Direito, é diferente. Eles são Corsi di Laurea Magistrale a ciclo unico e isso significa que eles têm duração de cinco anos (ou seis) e o requisito de acesso é o diploma do ensino médio. Seria exatamente como são as nossas graduações aqui, mas com a diferença que quem faz esses cursos na Itália já possui um diploma de nível de pós-graduação, em função do tempo de estudo.
Também são cursos de segundo ciclo os chamados "Master universitario di primo livello", ou simplesmente "Master" – que seriam tipo pós-graduações ou especializações aqui no Brasil. Eles duram um ano e costumam ser mais profissionalizantes. Porém, a principal diferença entre o Master e a Laurea Magistrale é que o Master não dá acesso ao Doutorado, enquanto a Laurea Magistrale dá.
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O "Dottorato di ricerca", o nosso doutorado, é um curso de terceiro ciclo no qual se adquire uma metodologia de pesquisa científica avançada para fazer uma tese. O Dottorato tem duração de no mínimo três anos e, ao contrário da Laurea Magistrale, a seleção é bem concorrida e difícil e as vagas são bem limitadas. Também são considerados de terceiro ciclo os cursos de residência médica, por exemplo.
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Como escolher o curso para estudar na Itália
Agora que você já sabe qual o tipo de curso procurar para estudar na Itália para o seu nível de estudos ou interesse, é preciso saber quais são as opções e onde estudar. A Itália possui mais de uma dezena de universidades públicas com uma grande estrutura e consideradas excelentes espalhadas pelo país – sobretudo na região norte. Também existe uma grande oferta de universidades particulares, como a famosa Bocconi di Milano.
Na hora de escolher o seu curso, procure se informar sobre as universidades, mas também especificamente sobre a sua área de estudo. Normalmente as universidades lá possuem determinados âmbitos de estudo nos quais são consideradas diferenciadas. Por exemplo, os cursos de Relações Internacionais da Universidade de Bolonha em Forli são muito bem conceituados, assim como a Academia de Belas Artes de Veneza, por exemplo. Neste link você encontra uma ferramenta de busca super completa dos "Atenei", ou seja, das estruturas universitárias italianas. E aqui, tem um ranking recente das instituições.
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Quanto custa estudar na Itália?
É importante saber que as universidades na Itália são pagas: mesmo nas públicas os estudantes deve pagar taxas anuais de matrícula durante o período de estudos. Os valores variam: por exemplo, na Universidade de Bolonha, a taxa anual de grande parte dos cursos de Laurea Triennale gira em torno de 1300 euros e de uma Laurea Magistrale de 2 mil euros. É evidente que para alguns cursos, como Farmácia, Medicina e Odontologia, os valores são bem mais altos.
A notícia boa é que existe a possibilidade de conseguir bolsa ou isenção das taxas – muitos estudantes que comprovam não ter como pagar as taxas ganham isenção e bolsa de estudos. Além disso, as universidades têm sempre programas específicos de bolsas para alunos internacionais e o governo italiano também abre as inscrições para o seu programa de bolsas para estrangeiros todos os anos. Procuramos sempre atualizar e divulgar as oportunidades no buscador de bolsas aqui do Partiu, então fique ligado!

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Frequência não obrigatória e provas orais na Itália
É isso mesmo, você não leu errado. Uma das coisas que mais impressiona as pessoas quando conto sobre a minha experiência de estudar na Itália é que lá não é obrigatório frequentar as aulas. Porém, você se engana se pensar que provavelmente ninguém aparece na universidade: em algumas disciplinas que eu cursei precisava chegar meia hora antes para conseguir um lugar para assistir à aula – na cadeira ou no chão! É claro que isso não acontecia na maioria das aulas que eu fiz, mas em pelo menos duas que eu frequentei e que tinham professores muito bons e conhecidos foi assim. Normalmente, as disciplinas (lá chamadas de "corsi") possuem dois programas diferentes: um para frequentantes e outro para não-frequentantes. A diferença costuma estar no número de leituras, que é maior para quem não vai às aulas. Tem gente que nem mora na cidade onde estuda e aparece só no período de provas.
Mas o que costuma impressionar ainda mais as pessoas é o fato de que muitas provas na Itália, os "esami" como eles chamam, são orais. Existem também provas escritas e, principalmente na Laurea Magistrale, muitas que exigem que o aluno escreva um artigo, mas a prova típica nas universidades italianas é uma prova oral. Durante o período de provas, no final dos semestres, na data e hora marcadas, os inscritos fazem fila para serem "entrevistados" pelo professor ou um de seus assistentes. A prova consiste em responder oralmente três ou quatro perguntas sobre o conteúdo da disciplina e no final o professor dá a nota, que vai de 18 a 30 se ele achar que você estava preparado o suficiente. Se não, ele diz para você voltar na próxima sessão de exames. Uma vantagem desse sistema é que você pode repetir a prova quantas vezes quiser, e tem também muitos estudantes que refazem as provas quando não gostam da nota.
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E isso não acontece somente em disciplinas humanas, não! Na faculdade de engenharia na Itália, por exemplo, algumas provas também costumam ser orais: o professor apresenta um cálculo, o estudante resolve e depois explica como fez.
A metodologia pode assustar no início, e é verdade que o nível de exigência na Itália é bem alto: os livros dos programas das disciplinas devem ser estudados de verdade e não apenas lidos uma vez. Porém, como eles recebem muitos estudantes internacionais, os professores costumam ser abertos e receptivos com os estrangeiros, afinal é normal ficar um pouco nervoso ao fazer uma prova oral em uma língua que não é a sua.
Preciso saber italiano para estudar na Itália?
A resposta é “não necessariamente”. As universidades italianas estão oferecendo um leque cada vez maior de cursos em inglês por causa da União Europeia, e para esses cursos não é obrigatório falar italiano. No entanto, a grande maioria dos cursos são em italiano e nesses casos é necessário ter conhecimento da língua. As instituições universitárias costumam exigir nível B2 ou C1 para a Laurea Triennale e C1 para a Magistrale, mas quem não possui um certificado de proficiência em italiano pode realizar uma prova da própria universidade antes de começar os estudos.
Para se candidatar para estudar na Itália, existe um procedimento composto por algumas etapas que incluem: reunir a documentação necessária, fazer a tradução juramentada, fazer o apostilamento de haia no cartório e levar ao Consulado Italiano que emite uma “declaração de valor” ( Dichiarazione di valore, em italiano) do título de estudo.
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