Foi então que os dois juízes do Trabalho resolveram que era a hora de realizar o sonho: eles se tornaram voluntários e abriram a casa onde moram com os dois filhos e a vida familiar para receber estudantes estrangeiros. A experiência foi tão gratificante que eles já receberam três estudantes. Fynn Conrad, um alemão de 16 anos que chegou no início de agosto de 2012, é o terceiro“filho com sotaque” da família.
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A família Fagundes (todos em pé na foto) já hospedou três estudantes estrangeiros em Porto Alegre. A primeira foi Paulina, da Alemanha (no centro), a segunda foi a Rebeca dos Estados Unidos (na esquerda) e depois o Fynn (da Alemanha)[/caption]
Ao hospedar intercambista é preciso ter paciência
A ideia de receber um jovem estrangeiro é justamente essa: integrar o adolescente na vida familiar e fazer com que a família possa ter uma experiência de intercâmbio sem sair de casa. Na família Fagundes, a experiência deu tão certo que a filha mais nova do casal ficou confusa quando a primeira intercambista voltou para casa:
– Durante um tempão, a Martina ainda achava que a Paulina fosse voltar. E chamava o quarto vazio de“o quarto da Paulina”– conta Artur, 13 anos.
Mas os conflitos com os jovens estrangeiros também surgem e por isso é muito importante ter paciência e conversar muito. Principalmente os cuidados com segurança, muitas vezes chocam os estudantes estrangeiros. Fynn, que mora em Berlim, na Alemanha, estranhou o fato de os pais gaúchos não permitirem que ele voltasse para a casa de ônibus das festas com os amigos.
– Assim como fazemos com nossos filhos, precisamos mostrar quais os limites e que certas coisas que eles fazem em casa são impraticáveis aqui. Nós somos os responsáveis por eles. Então, do mesmo jeito que eu não deixaria meu filho voltar de ônibus de uma festa às 3h, busco o Fynn das festas da escola, mesmo que ele ache a coisa mais exagerada do mundo – pondera Aline.
A família Fagundes (todos em pé na foto) já hospedou três estudantes estrangeiros em Porto Alegre. A primeira foi Paulina, da Alemanha (no centro), a segunda foi a Rebeca dos Estados Unidos (na esquerda) e depois o Fynn (da Alemanha)[/caption]
Como hospedar um intercambista sem tretas?
https://www.youtube.com/watch?v=2CkfNI1BSog Tudo começou em 2009, quando eles começaram a pesquisar na internet diversas organizações e programas que cadastrassem famílias voluntárias para hospedar intercambistas: – Visitamos amigos que estavam recebendo intercambistas e descobrimos que não havia necessidade da reciprocidade, até porque as crianças eram pequenas na época (Artur, o mais velho, tem 13 anos hoje, e Martina, a mais nova, tem quatro). Todos se empolgaram com a ideia. Preenchemos uma ficha na internet e começamos o processo – conta a juíza. Na documentação, eles falaram dos hábitos da família e sobre que tipo de jovem gostariam de receber. Tudo para evitar que o choque cultural pudesse causar conflitos insuperáveis. Além disso, eles ainda receberam a visita de uma psicóloga. – A visita de alguém do programa é importante para que a família tire dúvidas e até para dar mais segurança para quem recebe. Assim fica claro que há toda uma estrutura por trás do jovem com quem eles conviverão por um ano ou seis meses – explica Ruy Temberg,coordenador daYouth For Understanding (YFU) Brasil, organização que envia brasileiros e recebe jovens de mais de 50 países todos os anos.>>> Como é morar com uma família no Exterior– No início, fiquei meio desconfortável. Era como se alguém estivesse nos avaliando, mas depois me tranquilizei. Afinal, eles têm que se certificar que tudo o que a família diz nos formulários é verdade, para a segurança dos adolescentes – comenta Aline. Uma semana depois, os Fagundes receberam os primeiros perfis de adolescentes. Aí começou o dilema: era a hora de escolher qual daquelas caras sorridentes nas fotos conviveria com a família por um ano. – Nos encantamos pelo perfil da Paulina Banzerus, uma alemã de 15 anos na época. A única “exigência” era que ela tinha de “ser” colorada, não importava o time para o qual ela torcesse na Alemanha – brinca o juiz do Trabalho. – O Fynn, por exemplo, já é até sócio do Inter e vai aos jogos comigo.
>>> Quanto custa fazer intercâmbio no Ensino Médio
Ao hospedar intercambista é preciso ter paciência

A ideia de receber um jovem estrangeiro é justamente essa: integrar o adolescente na vida familiar e fazer com que a família possa ter uma experiência de intercâmbio sem sair de casa. Na família Fagundes, a experiência deu tão certo que a filha mais nova do casal ficou confusa quando a primeira intercambista voltou para casa:
– Durante um tempão, a Martina ainda achava que a Paulina fosse voltar. E chamava o quarto vazio de“o quarto da Paulina”– conta Artur, 13 anos.
Mas os conflitos com os jovens estrangeiros também surgem e por isso é muito importante ter paciência e conversar muito. Principalmente os cuidados com segurança, muitas vezes chocam os estudantes estrangeiros. Fynn, que mora em Berlim, na Alemanha, estranhou o fato de os pais gaúchos não permitirem que ele voltasse para a casa de ônibus das festas com os amigos.
– Assim como fazemos com nossos filhos, precisamos mostrar quais os limites e que certas coisas que eles fazem em casa são impraticáveis aqui. Nós somos os responsáveis por eles. Então, do mesmo jeito que eu não deixaria meu filho voltar de ônibus de uma festa às 3h, busco o Fynn das festas da escola, mesmo que ele ache a coisa mais exagerada do mundo – pondera Aline.
>> Dicas para viver com a host family numa boaSe assim como a família Stefani Fagundes você quer hospedar um intercambista em casa, entre em contato com organizações de intercâmbio e agências da sua região.
Dicas para quem vai hospedar um intercambista
Para hospedar um intercambista e ter uma boa relação, alguns cuidados são importantes:- Paciência, capacidade de diálogo e interesse por outras culturas são fundamentais para receber um estudante estrangeiro.
- Não é necessário ter filhos. Duas pessoas que vivem juntas, seja por laços afetivos ou sanguíneos, já podem se candidatar.
- O consenso de todos os membros da família é muito importante para que a experiência de ser host family seja bem sucedida.
- A casa precisa ter estrutura suficiente para hospedar um intercambista. No entanto, não é indispensável que o jovem tenha um quarto só para ele. Adolescentes do mesmo sexo podem dividir quarto.
- Os jovens não devem ser recebidos como hóspedes. Deve haver esforço dos dois lados para integrar o intercambista à vida familiar.
- Não é necessário reciprocidade, quem recebe um intercambista não necessariamente precisa enviar um jovem.

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