Universidade: precisa mesmo ser tão cedo?
Intercâmbio

Universidade: precisa mesmo ser tão cedo?

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Bruna Passos Amaral
· 4 min de leitura · 8.243 visualizações

Sempre que sai o listão do vestibular da UFRGS (sou de Porto Alegre, então todo ano o listão de lá inevitavelmente pipoca na minha timeline nesta época do ano), vejo a coisa se dividir entre em duas turmas: os entusiasmados com as novidades que o ano de universitário terá e os que se sentem frustrados por não terem feito "um pouquinho mais". Já estive nas duas posições e confesso que as múltiplas escolhas e a ideia de ter que me decidir por uma profissão "para sempre" apavoravam nessa época. Por isso, em 2003, no meio do terceiro ano, dei um jeito até arrumar uma oportunidade para fazer as malas e parti para um intercâmbio de um ano letivo na Alemanha.

Todas bolsas abertas

A verdade era: eu não queria ter de escolher aos 16 anos. Por isso, no meu caso, o intercâmbio uniu o útil ao agradável. Lembro que muita gente perguntava: vai passar um ano fora, mas e o vestibular? Como se entrar na faculdade direto, depois do Ensino Médio, fosse a opção certa para todos os jovens. Ninguém gosta da frustração de estudar e não encontrar seu nome no listão. Mesmo que a gente, no fundo, até já saiba que não vai passar, o sentimento ruim é inevitável. Mas, na real, a grande verdade é que nem todo mundo sai do colégio pronto para encarar a faculdade e, quando me dei conta disso, no lugar de ser tomada pelo pavor das provas, "pulei na água fria",  como se diz em alemão.

https://youtu.be/8hIPoSy21Zk

Na minha nova realidade, (que não foi nada fácil, eu não falava nada de alemão na época), encontrei uma escola que, além de ser em alemão, parecia uma faculdade: os alunos escolhiam no que queriam focar, e os professores mais instigavam a aprender do que mastigavam conteúdo. As provas eram sempre dissertativas, e as aulas cheias de discussões sobre as matérias. Aqui, o Ensino Médio é mais longo e, no final de tudo, ainda na escola, todos prestam o Abitur, provas cujas notas são usadas para se inscrever nas universidades.

Até 2011, os adolescentes eram obrigados a fazer serviço comunitário remunerado por um ano depois do Ensino Médio,  por causa disso, eram raríssimos os jovens que iam direto para a universidade na Alemanha, ou seja, gente com menos de 20 na Universidade era uma coisa rara. Depois de muita discussão e briga, não existe mais a obrigatoriedade, mas bastante gente ainda usa esse "ano social" como uma oportunidade e se candidata para fazer esse trabalho voluntário em outros lugares do mundo.

Não acredito que ter o governo obrigando a fazer qualquer coisa seja legal. Da mesma forma que não acho certo que deveria haver qualquer pressão social para passar no vestibular aos 16 anos. Universidade não é e nem deveria ser encarada como uma extensão da escola. Nela, o "vai cair na prova?" não pode ser a regra. Já que, pelo menos na teoria, lá é o lugar onde ninguém está porque é obrigado a estudar. O ambiente universitário deveria ser aquele em que finalmente se estuda mais por prazer e vontade de adquirir conhecimento do que "para passar". O que acaba não acontecendo quando um adolescente sai do colégio, depois de anos "obrigado" a estudar e novamente se sente "obrigado" a entrar em alguma faculdade.

Justamente por isso, não passar no vestibular não é o fim do mundo. Às vezes, a gente precisa de tempo e amadurecimento para fazer escolhas conscientes e duradouras. Trabalhar, viajar, estudar outras coisas, dar um tempo antes de escolher é melhor do que cursar algo só para agradar alguém. A própria experiência e o auto-conhecimento que se adquire nesse tempo deixando as ideias ficarem claras pode não cair na prova, mas vai ajudar a encarar o vestibular de maneira menos traumática e, principalmente, a aproveitar a universidade ao máximo quando for a hora.

E vocês? Concordam? Discordam? É só dizer aí nos comentários que a gente conversa!

Toda terça-feira tem vídeo novo no nosso canal no YouTubeAssina aí pra não perder nadinha. A gente também está no Instagram, no Flipboard e no Twitter. Nesses canais, eu falo mais sobre como ganhar bolsa para fazer intercâmbio, como fazer carta de motivação e mais um monte de coisas. Obviamente, eu também respondo dúvidas. Só deixar elas aqui nos comentários do post ?
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Escrito por

Bruna Passos Amaral

Fundadora do Partiu Intercâmbio, o maior acervo de bolsas de estudo do Brasil. Já ajudou milhares de estudantes a conquistar oportunidades no exterior.

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